5 de janeiro de 2013

TransAndes 8º e 9º Dia

TransAndes 8º Dia


Amanheceu um lindo dia na Cuesta del Portezuelo, em Catamarca. Principalmente porque tínhamos um janelão a 1700m de altitude com vista para o vale e uma montanha no outro lado. A medida que o sol subia, a sombra da nossa montanha na montanha a frente diminuia. Levando em consideração a distancia, a altitude, a atmosfera limpa e a minha sonolência, a imagem era mágica e parecia saída dos sonhos.

Com isso acordamos cedo, arrumamos as coisas, carregamos tudo no carro, batemos fotos e ninguém aparecia. Parece que somos os únicos vivos nesse lugar. Até que enfim apareceu alguém e preparou um rápido e leve desayuno para nosotros. Um sentimento estranho me fez pensar: "Como pode um lugar desses, tão bem projetado, com um cenário dignamente maravilhoso, numa localização incrível ser tão pouco usado"? Além do nosso quarto, acho que tinha apenas mais 1 ou 2 ocupados. Se fosse no Brasil, certamente estaria lotado, e a tarifa seria 4 ou 5 vezes maior.

Seguimos viagem pelo lado de cima, pelos campos de altitude. Uma bela estradinha de chão que segue um trecho pela borda da Sierra de Ancasti, mas logo a atravessa e vira uma serrinha do outro lado. Nisso ví um Condor enorme, numa das curvas da serra. Passou aquele passaro gigante por cima de nós, com seu colarinho branco, fazendo sombra no carro. Uau! Esse é o maior que eu já vi! Tirei uma foto dele, mas como não há parâmetro de tamanho, deixo vocês imaginarem. Com quase 2,5 metros de envergadura, pairando no ar com as asas abertas...

Cenário bonito da serra, logo abaixo começa o asfalto, em Tintigasta, e logo a frente El Alto. Seguimos em direção a Santiago del Estero, capital da província de mesmo nome. Enquanto descia a serra, ia lamentando...  Nossa viagem estava acabando. Daqui para frente são mais de 1700 quilômetros de planície monótona e muito calor, pelos próximos 2 dias. E foi bem assim. Só hoje serão 800km.

Passamos por Santiago del Estero, cidade grande, feia e empoirada. Seguimos pelas imensas retas que atravessam a Argentina, com muito vento lateral e muita poeira. Pelamordedeus! De onde vem tanta poeira? Teve um momento que meu termômetro marcou 43º, próximo a Presidencia Roque Sans Peña. Chegando na capital Corrientes a poeira cessou, mas o vento lateral voltou forte, derrubando em 20º a temperatura. Nas margens do Rio Paraná a cidade é bem bonita. Nos hospedamos no Don Suites Apart Hotel, excelente hotel que sugiro a todos que estiverem de passagem por Corrientes.

TransAndes 9º Dia


Acordamos cedo, pois hoje temos muito o que andar. O vento forte lateral continua e o tempo parece que vai desabar. Ainda bem que na Argentina os asfaltos são bons e com pouco movimento, assim se consegue fazer grandes distâncias sem perda de tempo e com segurança. Hoje rodamos 980 km, e chegamos em casa cansados mas felizes.

E assim termina nossa viagem! Foram dias intensos em que tivemos muitas experiencias agradáveis, além de fazer bons amigos. Viajar pelo Mercosul não é caro e esse roteiro pode ser feito tranquilamente por qualquer um com um pouquinho de programação. Foi uma viagem perfeita, tudo funcionou muito bem e estamos felizes por chegar em casa e contar essas histórias. Espero ter conseguido despertar o interesse de quem não conhece ou a lembrança de quem já curtiu esses caminhos. Obrigado!


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Amanhecendo e a miragem de luz.

Um belo dia!

Hosteria, o vale e a barreira. Do outro lado daquela montanha é deserto.

Bela estradinha nos campos de altitude.

Nas bordas da Sierra de Ancasti.

Faixa montanhosa.

Lembra um pouco os Campos de Cima da Serra na Serra Gaúcha

El Cóndor e seu colarinho branco.

Parada para fotografar o Condor.

Bela serrinha. As paisagens interessantes acabam por aqui...

Logo começa o asfalto e os 1700km que nos separam de casa.

Ultrapassando o caminhão no trecho de pista única, entre Taboada e Suncho Corral.

Interior da Argentina. Suncho Corral, Santiago del Estero.

Coluna de poeira.

Centenas de quilômetro submerso na poeira.

Chegando em Corrientes

Praia no Rio Paraná em Corrientes.

Ponte General Manoel Belgrano 

Janta em Corrientes, com cerveja Patagônia e peixe do Rio Paraná.






4 de janeiro de 2013

TransAndes 7º Dia

Acordamos sem pressa pra nada. Compramos réplicas de juros, artefatos indígenas antigos, feitos de barro para guardar água fresca. Demos uma volta pra conhecer a cidade de Villa Union. Já era tarde quando pegamos a Ruta 40. Nosso destino está a 480km. Cuesta del Portezuelo, no alto de uma montanha, com uma bela vista da capital de Catamarca. O cenário na Ruta 40 continua incrível. A cada pouco formações rochosas vermelhas, cáctus gigantes e cenários exóticos.

Logo a frente encontramos a Cuesta del Miranda. O asfalto virou uma estreita estrada de rípio ao lado de encostas e penhascos. Seguimos em meio a esse desfiladeiro. Um pouco de subida e a altitude passa dos 2.000 m. Ponto alto do dia! Seja pela altitude tanto quanto pela beleza. São apenas 20km de estrada de chão, mas cheia de curvas estreitas e penhascos, num cenário incomum. Passar por aqui quase já vale toda a viagem.

Almoçamos em Chilecito e passamos longas horas rodando por asfaltos lisos em meio a imensidões desérticas. Os Andes agora estão ficando para trás. Passamos por Aimogasta e suas plantações de oliveiras verdes, em pleno deserto. Mais uns 60km e entramos numa passagem entre montanhas, chamada Quebrada de La Cébila. Enquanto atravessamos esse caminho, aos poucos a paisagem volta a ficar verde, primeiro com cáctus e depois com arbustos e então pequenas árvores.

Passamos rapidamente por San Fernando del Valle de Catamarca, capital da província de Catamarca. E logo encaramos o paredão na nossa frente, a Sierra de Ancasti. Uma imensa barreira que começa e termina no horizonte. Lá em cima, a 1700 m de altitude, avistamos nosso destino, quase invisível pela distância, a Hosteria Polo Gimenez. A subida é muito interessante, se assemelha com a conhecida Serra do Rio do Rastro em Santa Catarina. No entanto o caminho é ainda mais estreito, e as proteções laterais são frágeis. A subida é maior e as curvas mais apertadas, além disso não é por um vale, e sim por uma encosta. As placas avisam: "Tocar Bocina", ou seja, buzinar nas curvas para alertar os outros motoristas.

Depois de muita curva, fotos e subida, chegamos na pousada, com um confortável quarto para descançarmos. Da nossa janela o por-do-sol. Lá embaixo a capital Catamarca, aos poucos acendendo suas luzes. Do outro lado, no horizonte a nossa frente, uma montanha ainda mais alta. Nessa montanha as nuvens não conseguem passar. Pra lá é o deserto do qual viemos.

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Jardim do Hotel Pircas Negras - Villa Union

Ruta 40

Árvore de Pedra, ao lado da Ruta 40.

De outro ângulo.

Debaixo da árvore de pedra. Ao fundo a Ruta 40 e o Jimny esperando.

Cardones gigantes.

Grandalhão espinhento! Levou alguns anos pra ficar desse tamanho...

Caminho pela Cuesta del Miranda.

Nosso guerreiro.

Los Cardones

Flor de Cáctus

A foto é incapaz de expressar a beleza dessa paisagem. Venha ver com seus próprios olhos!

Ladeira de Cáctus

Ruta 40

Local preferido! Atras do volante.

E as cabritas sempre soltas na estrada.

Olá hermanas!

Ruta 40.

Sierra de Ancasti, primeiro mirante.

São 17km de subida.

O penhasco e a ineficiente proteção

Aqui a proteção é melhor. Mas repare na largura da estrada.

Próximo do topo, com um ar mais fresquinho.

Contemplando o por-do-sol nas alturas.

Belíssimo lugar pra estar no fim do dia.

Hosteria Polo Gimenez. Todos os quartos com janelão pro vale.


Aquele risco lá embaixo é uma Ruta Nacional. As carretas parecem formigas, e os automóveis quase invisíveis.

Camino de Cornisa. Tocar Bocina.

Acabando o dia.

Contemplação.

Espinhento e colorido.

Subindo...

Hosteria Polo Gimenez.

Mirando abajo, parece un sueño.

San Fernando del Valle de Catamarca.

Una Cerveza Salta Negra y las luces de Catamarca.