1 de janeiro de 2013

TransAndes - 4º Dia - Atravessando os Andes

Primeiro dia do ano! Hoje é um dia especial, pois vamos atravessar a cordilheira dos Andes, pelo Paso de Água Negra!

Saímos tarde de San Juan em direção a Las Flores, que é onde fica a aduana. Agora somos 1 jipe e 2 motos. São 180km de asfalto que fizemos sem pressa. Chegamos por volta de meio dia. Um dos integrantes não estava muito confiante quanto a altitude no paso (primeira experiência), e queria deixar pro dia seguinte a passagem. Assim ele iria se preparar, deixando de fumar e beber por 1 dia, para preparar o espirito e a alma pro feito. hehehe Total exagero.

Estávamos ali, contemplando as montanhas, com o gelo branquinho nos picos, num dia de clima perfeito. Vamos ter horas de sol pela frente e ficaremos aqui parados? Com isso vai aumentar 1 dia na minha programação inicial. Então por livre e espontânea pressão decidimos seguir em frente. Demoramos um pouco pra dar saída da Argentina, pois tinha pessoas na fila, inclusive crianças, que precisam mais documentos que o normal. Na fila tinha também um ciclista europeu que acabava de descer o Paso. Levou 3,5 dias pedalando. :)

Ah! Que visual maravilhoso! As montanhas! Uma parede gigantesca em nosso caminho! Temos que lentamente subir até a altitude daqueles gelos láááááá em cima, e então descer tudo novamente no lado chileno. Um trajeto de 260km sem abastecimento e recursos, sendo 180 km de rípio em todo o trecho de alta-montanha.

Colocamos as bagagens mais pesadas das motos no Jimny e tivemos a companhia da Ludmila, a terceira integrante no jipe. Assim as motocicletas estariam mais aptas e confiantes a enfrentar trechos mais complicados nas montanhas. Assim partimos em direção aos Andes e ao Paso de Água Negra. entrando por um longo vale, que mesmo sem parecer, toma altitude progressivamente. O asfalto logo termina e o visual fica cada vez mais legal, com montanhas coloridas.

Em alguns anos estará tudo asfaltado e haverá um túnel duplo, fazendo a ligação da Argentina e Chile, apto para funcionar durante todo o ano, inclusive para o trânsito de caminhões. Atualmente funciona apenas 3 meses por ano no verão pra veículos leves. Encontramos uma placa indicando onde será o túnel, na altitude de 4.000 metros. Mais adiante a subida é forte, praticamente escalando um paredão final até a altitude de 4.775m onde fica o limite. Curvas cotovelos a beira do penhasco, estrada estreita e rodeada por gelo. Subindo mais um pouco e começamos a ver o gelo também longe abaixo! Já estamos mais altos que o gelo que viamos de longe na alto das montanhas...

O visual é de tirar o fôlego! E realmente estamos ficando sem fôlego. O Jimny está lento e preguiçoso, e meus pensamentos distantes. Adoro a sensação que o ar rarefeito causa. Parece até que andei tomando umas taças de vinho… Na verdade estamos sendo movidos a chimarrão turbinado com folhas de coca. :)

Passamos então pelo marco da divisa e ponto mais alto da estrada, a 4.775m, agora é descer pelo vale de Elqui. Mais um longo trecho de rípio, passando pela Represa La Laguna, até chegar a aduana chilena, onde fomos muito bem recebidos. De agora em diante só asfalto, mas a descida continua e começa a anoitecer.

Já de noite, dobramos a esquerda na Ruta D-485 em direção a Pisco Elqui. Cidadezinha turística, produtora de uva e pisco, incrustada em meio as montanhas secas dos Andes, no vale de Cochiguaz. Após muitas curvas num asfalto novo e estreito chegamos cansados no único lugar que nos disseram que teria vagas. Cabanãs Las Gredas. Gostaria de ter chegado mais cedo, com disposição pra procurar outro lugar, pois o senhor que nos atendeu era profundamente mal educado e mal humorado. Pelo menos a cabana era confortável e tinha lugar pra todos nós.

Ao lado da nossa hospedagem, convenientemente tinha um restaurante. O meu pedido foi  "Cabrito Asado, Ensalada Mista y Vino Tinto Cavas del Valle". O vinho é feito aqui pertinho e muito bom!


(Clique nas fotos para ampliar...)


Deo e Ludmila

Ruta 40


Frio e nublado, numa passagem a 2700m.

Ricardo Pires, carioca mandando ver no chimarrão! Friozinho.

Encarando a cordilheira.

Próximo abastecimento a 260km.

Parada em 3.000m pra esticar as pernas, respirar e ir aclimatando.

Papeando, tomando chimarrão e subindo.

Retão a subir.

Deo e Ludmila a 4000m.

Ricardo Pires mateando pra se aclimatar.

João, Denise e a placa indicando onde será o túnel.

Subindo em direção ao gelo.

Olhando abaixo, de onde viemos.

Estrada atinge o fim do vale, no gelo eterno, faz a curva e volta a subir pela encosta.

Coconut

Viajei no gelo.

Estradinha "muy loca!" Pedra, gelo e abismo.

Penitentes

O gelo é cortado para abrir o caminho, mesmo assim só por 3 meses.

Aqui ta geladinho!

Quem faz o serviço pesado.

Derretendo.
Se desprender um pedaço do gelo, nós vamos penhasco abaixo.

Contrastes

Ponto mais alto é 4775 m. A pressão atmosférica é metade do que estamos acostumados, cerca de 530 hPa.

Divisa da Argentina e Chile e ponto alto da estrada.

Muito o que descer daqui pra frente...

A beira do abismo.

Vamos pela descida íngreme e curta, ou pela mais longa?

Ciclista italiano já subiu bastante e decidiu que será aqui que ele vai armar a barraca.  Altitude 4.000m.

Vale de Elqui abaixo, sempre ao lado do curso de água de degelo.

Água é vida.

Água cristalina em meio a esse cenário árido.

Cores das montanhas.

Uhuu!! Esse lugar é demais!

Embalse La Laguna, 3150m altitude.

Estrada as margens da represa.

Verde turquesa.

Aqui é o planeta terra.

Nesse trecho, o caminho tem 3 variantes, mas tudo leva pra baixo.

Deo e sua GS.

Integrado a paisagem.

Aduana do Chile e início do asfalto.

Don Omar

Alejandra Ahumada Ahumada

Restaurante Club Social

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